História

Lojas antigas ainda em funcionamento por Conta-me Histórias, Lisboa

Nascida e criada na Mouraria, Helena Aguiar decidiu quase aos 60 anos que estava na hora de cumprir um sonho, estudar na Faculdade de Belas Artes. Está no segundo ano do curso de Pintura e aproveita o tempo livre para investigar sobre a cidade e organizar roteiros, difundindo os achados, lendas e histórias numa página de Facebook.

Caza das Vellas Loreto

Rua do Loreto, 53/55

Uma das lojas mais antigas da cidade, talvez seja a que menos mudou ao longo dos anos: esteve sempre na mesma família, e a vender o mesmo produto: velas artesanais. Fundada a 14 de Julho de 1789, é uma casa cheia de simbolismo, foi fundada com o principal objetivo de iluminar as ruas de Lisboa com velas.

Garrafeira Napoleão

Rua dos Fanqueiros, 70/76

Uma loja cheia de tradição, a funcionar há mais de 70 anos, com montras primorosamente decoradas, para além da grande quantidade de garrafas de diversas bebidas nacionais. É possível conhecer, bem debaixo dos nossos pés, um segredo guardado com cerca de 2000 anos, as cetárias Romanas de salga de peixe.

Retrosaria Bijou

Rua da Conceição, 9

A loja vende botões, fios, lãs, linhas, sedas, bordados, missangas, contas de madeira, e é reconhecida pela fachada vistosa, que mistura Rococó e Arte Nova. Inaugurada em 1915, preserva ainda o mobiliário, no interior, é famosa a caixa registadora antiga, que ainda hoje funciona, e informa: “O freguez verá no mostrador a importância da sua compra”.

Tabacaria Mónaco

Praça D.Pedro IV, 21

Fundada em 1875, para além de lugar de tertúlia entre fumadores, foi esta loja ponto de passagem entre o Rossio e a Rua 1º de Dezembro. No interior destaca-se o longo balcão, os armários talhados em madeira do Brasil, a bica de água, os azulejos e andorinhas de Rafael Bordalo Pinheiro, e os frescos no teto da autoria de António Ramalho.

Ruas marcantes por Lisboa de Antigamente

“Evocar, repetir, sistematizar, divulgar também é criar”, refere o especialista de Lisboa, ou melhor, o olisipógrafo, Norberto de Araújo. Este é o mote de Lisboa de Antigamente, uma comunidade dedicada à história da cidade, que partilha fotografias antigas das ruas e avenidas, acompanhadas por textos literários e uma descrição minuciosa.

Rua Garrett

No Chiado passeava-se para ostentar e criticar a elegância no vestir. Ramalho Ortigão chamou à antiga Rua Chiado a “ladeira vaidosa”. O espírito animava a boémia intelectual lisboeta. “Encontrar-se no Chiado”, dizia Eça de Queiroz, “significa ter a fina flor da graça, a vivacidade conceituosa e costumes dissipados”.

Avenida da Liberdade

Em 1879, José Gregório de Rosa Araújo, presidente da Câmara de Lisboa, apresenta a proposta, que se irá concretizar uma “grande Avenida Passeio Público ao Rocio”. Inaugura em 1885, e passa a ser onde “fazia-se a Avenida”, para ver e ser visto, num ritual de passeio romântico.

Avenida 24 Julho

Os Maias, obra-prima de um dos grandes cronista da cidade, Eça de Queiroz, termina com os protagonistas “a correr desesperadamente pela Rampa de Santos e pelo Aterro”. Esta rampa, hoje Calçada Ribeiro Santos, cruza com a 24 de Julho e é uma homenagem a um “militante anti-fascista”, assassinado pela PIDE em 1972.

Avenida Almirante Reis

Sobre a Almirante Reis, o olisipógrafo Norberto de Araújo diz que, “obedeceu a um plano, e por esta circunstância oferece o esplendoroso aspecto citadino que se lhe nota. Assim fosse sempre Lisboa”.

Avenida da República

Após a proclamação da República, em 1910, a Câmara de Lisboa alterou a toponímia, substituindo os nomes de figuras comprometidas com a monarquia. A Avenida Ressano Garcia passou a chamar-se República. É aqui que está a Pastelaria Versailles, fundada em 1922 por Salvador Antunes, com formação em pastelaria francesa e apaixonado por art noveau.